- Pensei que fosse algo sério.
- O que? Eu nunca vi os olhos de uma pessoa sangrarem. – ela tirou um lenço do decote de seu vestido e limpou o rosto dele. – Isso deve ser muito sério.
- Está preocupada comigo? – ele segurou sua mão delicada.
Ela se afastou e virou-se para a floresta.
- É claro que me preocupo. – disse envergonhada.
Ele pousou as mãos em seus ombros e aproximou os lábios de seu ouvido.
- Obrigado. – sussurrou. Ele sentiu a pele dela arrepiar-se com seu hálito quente. – Mas não é nada demais.
- Quer dizer que isso acontece sempre? – ela virou-se e o encarou preocupada.
Ele sorriu.
- Não é o momento certo. Quando chegar a hora, eu contarei. Isso a deixaria assustada. Seria muito pedir para que ficasse comigo por mais alguns instantes?
Ela acenou com a cabeça. Ele sorriu e estendeu-lhe a mão.
- Venha.
Eles andaram pela floresta até as árvores acabarem e darem espaço somente para a grama infestada de flores. Ao final do gramado tinha um lago. Ele brilhava muito com o reflexo da lua. Havia uma rocha grande em frente ao lago que os convidava para sentar.
- Eu nunca havia visto este lugar. – falou maravilhada.
- É lindo não é?
- Sim.
- Agatha. – ela desviou a atenção do lago e seus grandes olhos verdes passaram a observar Christopher. - O que uma moça jovem e bonita como você estava fazendo sozinha na floresta?
Ela desviou o olhar.
- Só dando um passeio. – mentiu.
- Eu não moro no vilarejo. Pode me contar. Você também estava chorando.
- Eu...eu não quero voltar para Livyland.
- E para onde pretende ir?
- Eu ainda não sei. – falou triste.
- Já ouviu falar na casa da montanha?
- Quem se atreve a ir lá jamais volta. Dizem que há uma criatura que suga as vidas de quem chega perto da casa.
Ele riu.
- Aquela casa é minha.
Ela arregalou os olhos e afastou-se até o fim da pedra.
- Não precisa ter medo. Eu inventei essa história para ninguém roubar a casa. Ela está abandonada.
- Então não há monstro?
- Não. E eu quero que você fique naquela casa.

