Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

continuação (2)

- Pensei que fosse algo sério.
- O que? Eu nunca vi os olhos de uma pessoa sangrarem. – ela tirou um lenço do decote de seu vestido e limpou o rosto dele. – Isso deve ser muito sério.
- Está preocupada comigo? – ele segurou sua mão delicada.
Ela se afastou e virou-se para a floresta.
- É claro que me preocupo. – disse envergonhada.
Ele pousou as mãos em seus ombros e aproximou os lábios de seu ouvido.
- Obrigado. – sussurrou. Ele sentiu a pele dela arrepiar-se com seu hálito quente. – Mas não é nada demais.
- Quer dizer que isso acontece sempre? – ela virou-se e o encarou preocupada.
Ele sorriu.
- Não é o momento certo. Quando chegar a hora, eu contarei. Isso a deixaria assustada. Seria muito pedir para que ficasse comigo por mais alguns instantes?
Ela acenou com a cabeça. Ele sorriu e estendeu-lhe a mão.
- Venha.
Eles andaram pela floresta até as árvores acabarem e darem espaço somente para a grama infestada de flores. Ao final do gramado tinha um lago. Ele brilhava muito com o reflexo da lua. Havia uma rocha grande em frente ao lago que os convidava para sentar.
- Eu nunca havia visto este lugar. – falou maravilhada.
- É lindo não é?
- Sim.
- Agatha. – ela desviou a atenção do lago e seus grandes olhos verdes passaram a observar Christopher. - O que uma moça jovem e bonita como você estava fazendo sozinha na floresta?
Ela desviou o olhar.
- Só dando um passeio. – mentiu.
- Eu não moro no vilarejo. Pode me contar. Você também estava chorando.
- Eu...eu não quero voltar para Livyland.
- E para onde pretende ir?
- Eu ainda não sei. – falou triste.
- Já ouviu falar na casa da montanha?
- Quem se atreve a ir lá jamais volta. Dizem que há uma criatura que suga as vidas de quem chega perto da casa.
Ele riu.
- Aquela casa é minha.
Ela arregalou os olhos e afastou-se até o fim da pedra.
- Não precisa ter medo. Eu inventei essa história para ninguém roubar a casa. Ela está abandonada.
- Então não há monstro?
- Não. E eu quero que você fique naquela casa.

Sábado, 25 de Junho de 2011

Novidade para os novos escritores!

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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

continuação

Ela se levantou, mas antes que pudesse correr para o outro lado ele já estava à sua frente de novo como uma estatua. Ela soltou o ar desesperada.
- Não sou quem você procura. Meu nome é Agatha. Por favor, não me machuque. – ela arfava ao falar e encolheu-se como se esperasse por um tapa.
Ele arregalou os olhos ao perceber a verdade. Ela não era Elizabeth. Não tinha o mesmo cheiro e era...era humana. Sua expressão abrandou-se.
Ele correu os dedos por seus longos cabelos negros jogando-os para trás, fazendo com que a pele pálida do rosto dela ficasse à mostra. Ele segurou seu rosto com as duas mãos fazendo com que ela o encarasse. Sua expressão ainda era de medo.
- Você tão parecida com ela. – sussurrou.
A expressão dele era de dor. Ele encostou sua testa na dela fechando os olhos e suspirando. Agatha reparou que seus olhos haviam ficado castanhos, antes dele os fechar.
- Minha Elizabeth. – murmurou. – Eu a amava tanto.
Seus lábios quase encostavam-se quando ele falava. Ele apreciava o som da respiração irregular dela e o som de seu coração acelerando. Uma lagrima caiu de seus olhos ao lembrar-se de Elizabeth.
- Ah, meu Deus! – Agatha exclamou afastando-se.
Christopher a olhou preocupado.
- Seus olhos estão sangrando!
Ele riu enquanto passava a mão no rosto e observava seu sangue.

‡ UM ‡

Christopher correu até a densa floresta da montanha à sua frente e parou ao ouvir algo se mexer. Estava a alguns quilômetros. Era um rapaz de uns 20 anos e provavelmente estava perdido. Ele deve ter sentido o perigo, pois começou a correr em seguida. Christopher chegou até ele em milésimos de segundo, segurou o rosto do rapaz com as duas mãos e olhou bem dentro de seus olhos arregalados em silencio. Logo os olhos dele começaram a ficar esbranquiçados e ele perdeu a consciência. Christopher cravou os dentes afiados em seu pescoço e ouviu o coração do rapaz antes acelerado parar gradativamente enquanto ele sugava sua vida.
Ele fechou os olhos para apreciar o doce sabor e o prazer que o sangue ingerido causava em seu corpo. Era inexplicável. Ele abriu os olhos e afastou-se do corpo antes que seu coração parasse de bater completamente. Olhou para ele caído no chão úmido da floresta. Não era uma coisa de que se orgulhava de fazer. Era necessidade. Uma necessidade incontrolável.
Ele limpou o sangue ao redor de seus lábios. Dava passos preguiçosos pela montanha quando ouviu algo parecido com soluços. Seguiu o som até a floresta perto do vilarejo e logo encontrou uma garota sentada no chão. Ela chorava desesperadamente. Não pôde ver seu rosto, pois ele estava escondido entre seus joelhos dobrados que ela abraçava. Seu cheiro era doce e estranhamente familiar.
Ela parou de chorar de repente. Espiou por cima dos braços e levantou-se rapidamente ao vê-lo. Assustada, ela se afastou cuidadosamente. Christopher arfou ao ver o rosto da garota.
- Não pode ser. – murmurou espantado.
Os olhos dele eram tão azuis que pareciam transparentes. Ela não deveria ter ido até a floresta. Aquele homem podia mata-la. Ninguém sentiria sua falta. Ela segurou o longo vestido e correu o mais rápido que pôde. Olhou para trás, mas não o viu. Ela esbarrou em algo duro que a fez cair no chão. Era ele. Estava bem na sua frente.
- Vai fugir de novo, Elizabeth? – ele tinha uma voz grossa.

continua...